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‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, de Machado de Assis, é um dos 5 livros preferidos de Woody Allen

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Publicado em Todo Dia

“Memórias Póstumas de Brás Cubas”, obra de Machado de Assis, aparece em lista que o cineasta Woody Allen escreveu para o jornal britânico “The Guardian” sobre os seus cinco livros prediletos.

Segundo o cineasta, ele recebeu o livro em sua correspondência. “Algum brasileiro desconhecido me mandou por correio e escreveu ‘você vai gostar disso’. Como é um livro pequeno, eu li. Se tivesse sido um livro grosso, eu teria descartado”, afirmou.

Allen disse que ficou surpreso como o livro é encantador e divertido. “Eu não pude acreditar que ele [Machado de Assis] viveu há tanto tempo. Você pode pensar que ele escreveu o livro ontem. É tão moderno e tão divertido. É uma obra de trabalho muito, muito original. Tocou um sino em mim assim como ‘O Apanhador no Campo de Centeio’. Foi tratado com grande inteligência, originalidade e sem sentimentalismo.”

Machado de Assis

Machado de Assis

 

No livro, é o próprio protagonista, morto, quem conta sua história. Os outros livros que compõem a lista são “O Apanhador no Campo de Centeio” de JD Salinger, “Really the Blues”, de Mezz Mezzrow e Bernard Wolfe, “O Mundo de S. J. Perelman”, de S. J. Perelman, e “Elia Kazan: A Biografia” de Richard Schickel.

| FOLHAPRESS

5 filmes de Woody Allen para fãs de Literatura

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José Figueiredo, no Homo Literatus

5 obras do diretor nova-iorquino Woody Allen que todo fã de Literatura deve assistir

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Ele pode não ser uma unanimidade, mas é considerado um dos grandes nomes vivos do Cinema. Com uma vastíssima obra, Woody Allen criou filmes de muitos gêneros (comédias, dramas, suspense e, pasmem, um musical).
Amigo de grandes autores (Saul Bellow, ganhador do Nobel, faz pontas em ao menos dois filmes do autor), Woody Allen sempre manteve um contato direto com grandes obras da literatura, sejam elas clássicas ou contemporâneas.
Separamos cinco filmes para quem ama literatura e cinema. Have fun!

Noivo neurótico, noiva nervosa
É um clássico óbvio por dois motivos: trata de temas óbvios que tocam a todos em determinados momentos da vida (amor, insegurança, relacionamento) e trabalha com todos estes numa perspectiva de tempo. O relacionamento de Max Singer (Woody Allen) e Annie Hall (Diane Keaton) passa pelos problemas comuns a todos do seu começo até (spoiler) o final. As referências a Freud e técnicas do modernismo são abundantes (a famosa cena na qual o casal divide a tela em suas respectivas terapias é um exemplo).

Meia-Noite em Paris
Um dos últimos filmes do diretor – e o que mais lhe rendeu financeiramente -, Meia-noite em Paris traz a vida boêmia de Paris, seus artistas, ilusões e desejos. Gil (Owen Wilson), um escritor com problemas para trabalhar, está na cidade luz com a futura esposa e os sogros. Insatisfeito, ele acaba se encontrando numa brecha temporal e tem contato com pessoas como Gertrude Stein, Ernest Hemingway, entre outros. Com um grande questionamento acerca da eterna insatisfação humana (estamos sempre descontentes com o presente e idealizamos o passado), é um clássico moderno.

Match Point
Parcialmente baseado em Crime e Castigo, Match Point trata da vida de Chris Wilton (Jonathan Rhys Meyers) se envolve com Chloe, uma filha de uma rica família inglesa. Enquanto esse relacionamento se desenrola, Chris se envolve com Nola (Scarlett Johansson), uma americana impulsiva. Chris se casa com Chloe e ascende socialmente e seu caso com Nola se desenvolve. Quando a americana põe entraves ao seu sucesso, ele decide matá-la.
As reflexões e tensões do personagem principal são as mesmas do personagem de Dostoiévski (inclusive com várias referências, diretas e indiretas, durante todo o filme). Um grande suspense filosófico capaz de agradar a todos os públicos.

Boris (Woody Allen) é um cidadão russo dos romances do século de ouro. Sendo acometido de questões filosóficas profundas e em meio ao contexto das guerras napoleônicas, Boris se apaixona por Sonja (Diane Keaton), é rejeitado e se torna acidentalmente um herói de guerra. Com bom humor e um sem fim de referências aos clássicos russos, A morte de Boris Gruschenko (originalmente Love and Death) homenageia a literatura russa tão amada por Woody Allen e nós.
(Esta informação talvez seja a menos relevante, mas é meu filme preferido de Woody Allen)

A rosa púrpura do Cairo
Cecilia (Mia Farrow) vive em meio a depressão pós crash de 1929. Ela tem um marido que se aproveita dela, um emprego ruim e sua única diversão é assistir várias e várias vezes o filme A rosa púrpura do Cairo. Um dia, no meio da sessão, Tom Baxter (Jeff Daniels), protagonista do filme, sai da tela e foge com Cecilia. Eles se envolvem e deixam todo mundo em alvoroço, inclusive Gil Sheperd (Jeff Daniels), o ator que interpreta Baxter no filme. Entre o realismo mágico e uma grande história de amor, Woody Allen cria um filme cheio de momentos engraçados e tocantes.

A faceta literária de Woody Allen

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Bem-sucedido diretor de cinema, Woody Allen usa a literatura para fazer experimentações narrativas.

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Sofia Alves, no Homo Literatus

Quando falamos em Woody Allen, pensamos imediatamente em obras de arte sequenciais. Seus filmes são verdadeiros clássicos do cinema mundial que enchem cinemas com um público bastante variado, de senhorinhas que avidamente o assistiam nos anos 70 aos jovens do século XXI que procuram um cinema onde bons roteiros e jazz predominem. Há, porém, um lado pouco conhecido do diretor que merece tanto destaque quanto sua filmografia: sua literatura.

Dono de filmes com diálogos ácidos, mas ao mesmo tempo delicados quanto aos sofrimentos da vida, o diretor possui uma grande capacidade de articulação de ideias com fina amarração, como podemos observar em seus roteiros. Tal talento extrapola o cinema e chega até a literatura. Sua escrita, como dita pelo próprio, é apenas um hobby. É algo para se fazer ao anoitecer, quando a exaustão de filmar seus longas bate e há a necessidade de um frescor que somente as palavras no papel podem trazer.

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A maioria dos livros publicados por Woody Allen é de contos. Nas breves histórias que o cineasta conta, podemos observar o seu famoso senso de humor vívido e ácido que também o notabilizou nas telas grandes – apenas como curiosidade, Allen declarou que Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, está entre seus cinco livros preferidos. O diretor manifestou em diversas entrevistas o seu gosto pela literatura, por lhe permitir experimentar antes de levar novas histórias para o cinema. Segundo o próprio, sua notabilidade como cineasta diminui a permissividade com qualquer inovação estética diretamente em seus enredos. Por isso, a literatura tornou-se grande aliada de suas experimentações.

Há, inclusive, alguns fãs do autor que leram seus livros e conseguiram perceber tais experimentações literárias em seu cinema. Em um de seus livros de contos, chamado Que loucura!, Allen escreveu uma história denominada O caso Kugelmass. A curiosidade encontra-se na similaridade entre a história e o enredo do filme Meia Noite em Paris, lançado muitos anos depois. As histórias contêm algumas diferenças pequenas, mas apresentam as mesmas ideias e conteúdo, evidenciando então o poder que Woody delega à literatura quando se trata de tentar algo novo.

Woody Allen (centro) no set de filmagem de Meia Noite em Paris

Woody Allen (centro) no set de filmagem de Meia Noite em Paris

A fugacidade do cinema de Woody Allen não passa despercebida em sua literatura. Seus livros são recheados de histórias gostosas que permitem que voltemos atrás algumas páginas para saborearmos novamente tal genialidade, coisa que o timing cinematográfico muitas vezes não permite. Seja nas telas, nas páginas ou nas trilhas sonoras, Woody Allen é um gênio das palavras ditas e implícitas.

Países emergentes vão transformar a literatura mundial, diz Orhan Pamuk

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Cassiano Elek Machado, na Folha de S. Paulo

Em um discurso que fez a literatos suecos –figuras que, de Estocolmo, comandam há cem anos a geopolítica literária global–, o escritor turco Orhan Pamuk falou, em bom turco, que na literatura, como na vida, sempre se sentira “fora do centro”.

Ele recebia na ocasião o Prêmio Nobel de Literatura.

Desde aquele dezembro de 2006, suas ideias foram subitamente mudadas de lugar.

Fabio Braga/Folhapress
O escritor Orhan Pamuk, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 2006
O escritor Orhan Pamuk, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 2006

Aos 61 anos, ele já está traduzido em mais de 60 idiomas e ultrapassou os 11 milhões de romances vendidos, com destaque para obras como o autobiográfico “Istambul” e “Meu Nome É Vermelho” (que no Brasil acaba de ganhar edição em formato “livro de bolso”).

Da mesma forma, o que seria a “periferia” de sua obra, seus primeiros títulos, começa a circular pelo mundo. Bom exemplo disso é o lançamento no Brasil, agora, de “A Casa do Silêncio” (Companhia das Letras), obra publicada por ele em 1982 e só traduzida para o inglês no ano passado.

Narrado por cinco personagens diferentes, o romance se desenrola em torno da visita anual que os netos da viúva Fatma lhe preparam, em sua velha residência na Costa da Turquia.

Na entrevista a seguir, dada à Folha por telefone, de Istambul, Pamuk revisita esta sua antiga mansarda literária e retoma temas que esboçava no salão da Academia Sueca. A nova arte, ele defende, virá de fora do eixo.

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Folha – Woody Allen disse em entrevista recente que nunca voltou a assistir seus filmes anteriores. O sr. relê obras como “A Casa do Silêncio”, que escreveu há décadas?

Orhan Pamuk – Feliz ou infelizmente, tenho de reler meus romances quando são reeditados. Não sou como Allen. Tenho curiosidade de rever como eu resolvi um ou outro problema num romance antigo. Às vezes fico com a sensação “já vi este filme antes”, mas em outros momentos leio trechos bonitos feitos na minha juventude e sinto que eu era outra pessoa.

É possível dizer que, assim como o sr., seu país é outro do que quando “A Casa do Silêncio” foi publicado?

Assim como o Brasil, a Turquia viveu uma transformação muito grande nas últimas décadas. Somos, Brasil e Turquia, considerados “mercados emergentes”. Fico irritado com o rótulo. Prefiro falar em “humanidades emergentes”. Não é só o mercado que “emerge”. Com a consolidação de uma classe média e o fortalecimento da economia de um país, suas artes e literatura também se desenvolvem. As manifestações recentes nas ruas do Brasil e da Turquia têm relação com esses novos humanismos.

Como as artes estão ligadas às manifestações?

Não é uma relação direta. Na Turquia vejo com clareza a individualidade das novas classes médias. Há 30 anos, esse tipo de insurreições seria difícil porque havia muita repressão. As mídias sociais ajudaram a mobilização, mas o interessante é que a classe média disse que está irritada: não quer ser conduzida por uma força centralizada e não se sente representada pelo sistema político.

O sr. já disse que o romance é uma arte de classe média e que vivemos a proliferação de novas classes médias. Como esse processo afetará o modo de escrever romances?

O romance vai se transformar. O novo romance virá do leste. Vale lembrar que o formato do romance foi criado na França e na Inglaterra e que quando países como Rússia entraram em jogo, com autores como Tolstói e Dostoiévski, mudou a arte. Em países muçulmanos, na Índia e na China estão se formando novas classes médias, com humanismos diferentes. O núcleo do romance vai mudar, não há dúvidas.

O sr. diz que os romances, de modo bem diferente de outros gêneros, têm um centro. Qual é o de “A Casa Silenciosa”?

O que faz de “A Casa Silenciosa” um romance é o fato de ter muitos narradores com diferentes pontos de vista e o fato de, por vezes, seus pontos de vista não se encaixarem. É o trabalho ou a alegria do leitor encontrar o centro. Talvez o de “A Casa Silenciosa” seja a história do país e como ela se relaciona à saga de uma família desintegrada.

O sr. já chegou a pensar em retomar esta mesma família ou desenvolver a história de um dos personagens do romance?

Sim. A que eu realmente imagino que deva continuar é a de Hasan, o nacionalista de direita que planeja virar um terrorista. Seria muito interessante escrever com mais profundidade sobre o pensamento de direita e sobre o terrorismo, sobre o anti-imperialismo, a xenofobia, o despertar da religião e o desejo de pertencer.

Há quem defenda que o terrorismo será um tema central na ficção. O que o sr. acha disso?

Acho possível, mas thrillers no estilo John Le Carré não são o meu estilo. O que me interessa são os humanos, os sentimentos que giram em torno dessa maneira de pensar. Não quero escrever sobre quantas pessoas foram mortas ou como um plano terrorista foi arquitetado, mas sobre as razões pelas quais há gente praticando estes atos. Gosto de pensar ao mesmo tempo em como uma pessoa destas se relaciona com sua mãe e em como são seus momentos mais ternos na vida provinciana.

“A Casa” é o primeiro livro no qual aparece um personagem chamado Orhan, como você. Qual a função deste Orhan?

Não se trata de uma grande estratégia borgiana. Tem mais a ver com as aparições pontuais de Alfred Hitchcock em seus filmes. É um recurso técnico, para lembrar o leitor de que se trata de ficção.

Um personagem de “A Casa” tenta escrever uma enciclopédia, tema que já apareceu na sua obra. De onde vem o fascínio pelo enciclopédico?

Se fosse para uma ilha deserta, levaria três enciclopédias: uma sobre o islã, uma sobre a cultura turca e a “Britânica” de 1911. Verbetes enciclopédicos à moda antiga estimulam minha imaginação romântica. Eu os leio e imediatamente crio histórias. Por outro lado, também levava comigo, 30 anos atrás, meus anseios enciclopédicos típicos do intelectual de terceiro mundo, que queria escrever sobre tudo. Ensinar, de modo não muito humilde, uma nação ignorante.

O sr. já reclamou que jornalistas sempre o questionam sobre política e que esse não é um tema de sua predileção. Mas “A Casa” tem implicações políticas, o sr. não concorda?

Sua pergunta é engraçada porque, quando escrevi “A Casa do Silêncio”, a geração anterior de escritores turcos era tão motivada por assuntos políticos que eu tinha pensado “por que não tentar escrever algo apolítico?”. Trinta anos depois, todo mundo diz: “Você escreveu um romance político há 30 anos”. Não concordo.

Mas e o nacionalista Hasan?

Sim, é o fato de a raiva de Hasan personificar e parecer com a raiva de todos os fundamentalistas antiocidente de agora que dá seu tom político hoje. A população dos países não-ocidentais não era tão visível naquele tempo. A ideologia vigente pregava que todo o mundo ia ter a cara da Europa. O boom da literatura latino-americana talvez tenha tido relação com este momento, uma resistência a uma ideia de ocidente. Hasan, criado em 1982, era então só um sussurro. Mas este sussurro, somado a outras raivas, ao fundamentalismo islâmico, ao nacionalismo, ao antiamericanismo, expressava o antiocidentalismo. Este sentimento não me agradava. Eu me sentia mais próximo dos valores do Ocidente do que meus personagens. Mas este sentimento cresceu. O que faz Hasan mais visível para leitores ingleses, americanos e talvez brasileiros foi o desenvolvimento da história.

O que eu vi da vida, por Woody Allen

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Má Dias, no Literatortura

Woody Allen, 77, escritor e diretor cinematográfico que está com seu quadragésimo oitavo filme (Blue Jasmine) nos cinemas internacionais (por aqui o filme estreia apenas em Outubro desse ano), deu um depoimento para a edição de Setembro da revista americana Esquire. A entrevista, disponível no site da publicação, faz parte de uma seção chamada What I’ve Learned? (O que aprendi?, em tradução livre), que conta com depoimentos de vários artistas sobre suas próprias carreiras, trabalhos e vida. Confira as dicas, opiniões e ensinamentos – quase sempre com um fundo de humor – desse tão aclamado diretor.

Minhas duas filhas adolescentes me veem como um ancião. Mas, pela manhã, me levanto antes delas, e as acordo para ir à escola.

As pessoas que não escrevem não entendem uma coisa: elas acham que você escreve uma linha conscientemente – mas você não escreve. Isso acontece inconscientemente. Então é a mesma surpresa para mim quando o que eu escrevi emerge como é para o público. Eu não penso numa piada e depois a digo. Eu a digo e depois percebo o que eu disse. E rio, porque estou ouvindo-a pela primeira vez também.

Sem medo, você jamais sobreviveria.

Meu pai nunca me ensinou como fazer a barba – aprendi isso com um motorista de táxi. Mas a maior lição que meu pai me ensinou é que se você não é saudável, então você não possui nada. Não importa quão ótimas as coisas estão indo para você, se você tiver uma dor de dente, ou uma dor de garganta, se você se sente enjoado, ou, Deus me livre, se tem alguma coisa muito séria e errada acontecendo com você – tudo está arruinado.

Um sanduíche de carne enlatada seria sensacional, ou um daqueles grandes e gordos salsichões, sabe, com mostarda. Mas eu não como essas coisas. Posso dizer que não como um salsichão há 45 anos. Eu não como comidas agradáveis. Eu como para ser saudável.

Marshall McLuhan previu que livros seriam obras de arte em algum momento. Ele estava certo.

Minha mãe ensinou-me um valor: rígida disciplina. Meu pai não ganhava o suficiente, minha mãe cuidava do dinheiro e da família, e ela não tinha tempo para futilidades. Ela ensinou-me a trabalhar e a não perder tempo.

Eu nunca vi uma cena sequer de nada que eu tenha produzido depois de finalizado. Eu nem sequer me lembro do que está nos filmes. Se estou no sofá, passeando pelos canais e de repente Manhattan ou outro filme aparece, eu os passo. Se eu ver Manhattan novamente, eu veria apenas o pior. Diria: “Oh, Deus, isto é tão embaraçoso. Eu podia ter feito daquele jeito. Eu deveria ter feito aquilo.” Então eu prefiro me poupar.

Durante o banho, com a água quente caindo, você deixa o mundo real para trás, e muito frequentemente as coisas se abrem para você. É a mudança de ambiente, o desbloqueio da tentativa de forçar as ideias que é incapacitante quando você está tentando escrever.

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Se você nasceu com um dom, se comportar como se ele fosse uma conquista é errado.

Eu amo Mel Brooks. Passei momentos maravilhosos trabalhando com ele – mas não vejo nenhuma semelhança entre nós, exceto, você sabe, que ambos somos Judeus. É onde a semelhança termina. Seu tipo de humor é completamente diferente do meu. Mas, Bob Hope? Sou praticamente um plagiador dele.

Fizemos um tour pela Acrópole no final da manhã e eu olhei para baixo, para o teatro, e senti uma conexão. Quero dizer, este é o lugar onde Édipo estreou. É incrível para alguém que passou a vida no show business ou trabalhou com arte dramática olhar para o teatro onde, há milhares de anos, homens como Mike Nichols, Stephen Sondheim e David Mamet vestiam togas, e pensavam: “Puxa, eu não posso ficar nessa linha de trabalho. Você sabe, eu estive trabalhando nisso durante a noite inteira e aquele ator não sabe como interpretar.” Sófocles, Eurípedes e Aristófanes…

Tem sido dito sobre casamento: “Você tem que saber lutar.” E eu acho que há um pouco de sabedoria nisso. Pessoas que vivem juntas entram em discussões. Quando você é mais jovem, os argumentos tendem a aumentar – ou não há qualquer sabedoria que os substitua para mantê-los em perspectiva. Isso tende a ficar fora de controle. Quando você for mais velho, você percebe: “Bem, esse argumento não vai mais servir. Nós não concordamos, mas este não é o fim do mundo”. Daí a experiência entra em jogo.

Quando comecei – quando lancei Take the Money and Run – o pessoal da United Artists acumulou críticas do país inteiro em uma enorme pilha e eu as li. Texas, Oklahoma, Califórnia, New England… Foi quando percebi que isso é ridículo. Quero dizer, o cara em Tulsa acha que a imagem é uma obra prima, e o cara em Vermont acha que é a coisa mais estúpida que ele já viu. Cada cara escreve de uma forma inteligente. A coisa toda era tão inútil! Então eu abandonei para sempre a leitura de críticas. Graças à minha mãe, eu não perdi tempo refletindo sobre eu ser brilhante ou um tolo. É completamente inútil pensar sobre isso.

Você pode apenas se esforçar muito, e então estará à mercê da fortuna.

Eu, me sentando para um jantar com Ingmar Bergman, me senti como um pintor de paredes se sentando para jantar com Picasso.

É apenas um acidente o fato de que nós estamos aqui na Terra, desfrutando de nossos momentos bobos, distraindo-nos tantas vezes quanto possível, de modo que não temos que realmente enfrentar o fato de que, você sabe, nós somos apenas pessoas temporárias com um curto espaço de tempo em um universo que acabará por desaparecer completamente. E tudo o que você valoriza, seja Shakespeare, Beethoven, da Vinci, ou o que quer que seja, terá desaparecido. A Terra irá embora. O Sol irá embora. Não haverá nada. O melhor que você pode fazer para obter vida é se distrair. O amor funciona como uma distração. O trabalho também funciona como uma distração. Você pode distrair-se de um bilhão de maneiras diferentes. A chave é se distrair.

Um cara irá dizer: “Bem, eu faço minha sorte.” Este mesmo cara caminhará pela rua e um piano que está sendo içado cairá como uma gota sobre sua cabeça. A verdade é que sua vida está muito fora de seu controle.

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