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Saiba como incentivar os jovens de hoje no prazer da leitura

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 Crianças e adolescentes descobrem na literatura a melhor aventura de suas vidas. Romance, suspense, ficção científica e a vida real traduzidas nas páginas os encantam (foto: Euler Junior/EM)


Crianças e adolescentes descobrem na literatura a melhor aventura de suas vidas. Romance, suspense, ficção científica e a vida real traduzidas nas páginas os encantam (foto: Euler Junior/EM)

Conquistar crianças e adolescentes para a literatura exige criatividade e sabedoria para que o contato com o mundo dos livros seja para sempre

Lilian Monteiro no UAI

Ler por prazer. Ler para estudar. Ler para se informar. Todas as formas nos levam ao conhecimento de culturas, histórias, hábitos, realidade, fantasias, ideias, vivências, sonhos e de nós mesmos. É uma das habilidades mais incríveis da humanidade. Desde o primeiro livro impresso na década de 1450, fruto da invenção da tipografia do alemão Johannes Gutemberg, que foi a Bíblia, até os exemplares digitais do século 21, a leitura é a arma mais eficaz para nosso aprendizado. Decifrar, interpretar, decodificar, compreender, analisar, imaginar! Nada como se perder no universo encantado dos livros.

Do filme A sociedade dos poetas mortos, de 1989, ao As vantagens de ser invisível, de 2012, a sétima arte sempre elegeu a literatura como um personagem espetacular para discutir a vida. Entre tantas películas, na primeira um professor de literatura inglesa e norte-americana inova no modo de ensinar e por meio da leitura leva os alunos a uma reflexão sobre como fazer a vida valer a pena. No decorrer da história, eles descobrem que o docente havia participado de uma Sociedade dos Poetas Mortos, um clube de leitura de poesia, e decidem reviver o grupo. Já em As vantagens de ser invisível, a trama mostra a recuperação da depressão de um adolescente tendo como melhores amigos seus livros e o seu professor de literatura. O filme retrata o poder dos livros em curar nossas ansiedades e de nos fazer

Hoje, o Bem Viver propõe a discussão de como fazer com que crianças e adolescentes mergulhem nas páginas da literatura. Como estimulá-los a abrirem um livro, físico ou não, que contemplem histórias que os despertarão a desenvolver o hábito da leitura? Não há nada mais forte do que o exemplo. E não há quem personifique o poder da leitura do que a história de Maria Vilani. Não há inspiração maior para abraçar um livro. De tudo o que ela se tornou, era apenas uma criança que queria aprender a ler. Nascida em Fortaleza, hoje moradora do Grajaú, Zona Sul de São Paulo, mãe de cinco filhos, entre eles o rapper Criolo, professora autodidata, filósofa, escritora, poeta, agitadora cultural (uma das líderes do Centro de Arte e Promoção Social Grajaú), aprendeu a ler sozinha. Conta que o pai a ensinou a “desenhar” o nome e passou a decodificar o beabá diante das páginas de jornais e revistas que serviam de embrulho para as compras do dia a dia. Nunca deixou de alimentar o desejo de ler e aprender. “Tinha a necessidade de conhecer outras formas de pensar.”

Maria Vilani, com quatro livros publicados, entre eles Cinco contos sem desconto e de quebra dois poemas e Penteando a vida, declara que para a criança ler é “preciso ver alguém lendo. O que eu faço e como criei meus filhos foi incentivando-os. Lia para eles e uma vez por semana, com todos em volta da mesa, líamos e cada um tinha a oportunidade de interpretar o que foi lido, sem censura, com seu olhar. Criança tem facilidade para imaginar e criar. É só dar liberdade e estimular”. Ela conta que tem um projeto, o “Sonhagem”, “que é o sonhar acordado, trabalhar a imaginação e a curiosidade de buscar”.

VITRINE Para Maria Vilani, se a família não tem o hábito da leitura, não lê junto. O ideal seria a criação de projetos voltados para pais, tios, avós e professores para que despertem o desejo, já que “são os reprodutores e multiplicadores. A criança vai seguir quem é importante para ela. Digo sempre que os livros em casa precisam ter fácil acesso. É necessário que estejam à mão das crianças, com as capas voltadas para frente como uma vitrine para que possam olhar, pegar e ler. É nosso dever facilitar, tornar o livro atrativo como o brinquedo e o alimento dispostos dessa forma. É a maneira de atiçar a curiosidade pela literatura infantil e infantojuvenil”.

Maria Vilani afirma que o ideal é ler de acordo com a idade e proporcional à inteligência. Independentemente de livros clássicos ou não, o importante é que seja compreendido. “Mas nunca devemos esquecer os clássicos, eles são a origem dos nossos saberes. Mas creio que toda leitura é válida e, se atrai, é porque nos faz refletir e nos embala.” Ela reforça que é“a favor da roda de leitura na família, na sala de aula, no projeto social. “E seja blog, site, Facebook, sou a favor de despertar o gosto pela leitura. Acho que todos são caminhos. Somos singulares e seremos afetados de forma peculiar. O objetivo, acredito, é atingir o maior número de público. Até quem ainda não foi alfabetizado, basta influenciá-los com livro sem texto e por meio das figuras criar uma história juntos, soltar a imaginação. Até ouvindo música você está lendo, interpretando a letra, sentindo a mensagem”, observa.

O problema, alerta Maria Vilani, é que a realidade do mundo muda rapidamente e há uma dificuldade de acompanhar esse avanço e criar uma metodologia que concilie algo que é maravilhoso e não se pode perder. Além de incentivá-lo com Maria Vilani, o Bem Viver foi conversar com outras especialistas, escritoras, jornalista, educadora, psicanalista, crianças e adolescentes que veem a leitura como parte de si. E aí, qual história o capturou para o mundo dos livros?

Liberdade para criar

É sempre uma surpresa encontrar crianças e adolescentes que gostam de ler. O encantamento é imediato diante das interpretações e do que dizem sobre o significado da leitura e do livro nesse começo de vida. Marina Metzker Pifano de Melo, de 11 anos, aluna do Colégio ICJ, diz que gosta de ler porque é uma aventura. “É melhor do que filme porque quando leio posso inventar o espaço e imaginar o que eu quiser.” Articulada, atenta, com cuidado ao escolher cada palavra durante a entrevista, Marina destaca que ler é interessante porque depois pode compartilhar seus pontos de vista, além de trabalhar a criatividade. “Tenho dois livros preferidos: O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, e A menina que colecionava borboletas, da Bruna Vieira.” Ela lembra que o interesse pela leitura começou bem pequena, “quando pedia a minha mãe para me contar várias vezes a história da A bonequinha Preta”, da mineira Alaíde Lisboa de Oliveira, obra com quase 80 anos e ainda sucesso, um clássico.

Marina enfatiza que ler a ajuda a “falar melhor, me tornar uma aluna melhor nas aulas de redação, não errar vocabulário e saber usar palavras difíceis e diferentes mesmo em um contexto mais simples. Sempre leio dois livros por semana. Pego na biblioteca do colégio ou peço à minha mãe, que até reclama de tantos que quero. Adoro ganhá-los de presente e de conversar com minha prima, Adriana, já adulta, formada em administração, sobre literatura”. A mãe, Patrícia, conta que fica admirada com o nível do papo entre as duas. Nada infantil. O que também deve encher de orgulho o pai, Humberto. Marina é filha única.

À vontade para falar, Marina chama a atenção para a “coleção das princesas modernas, da Paula Pimenta. Ela mudou a história, colocou no mundo real e com problemas atuais. Achei bem importante a discussão. Li A droga da obediência, do Pedro Bandeira, e como ele escreve bem. Aliás, são tantos assuntos e ideias que não sei como consegue, é maravilhoso”. Ela conta que a maioria de seus colegas gosta de ler e quem ainda não se rendeu ao livro, Marina tem opinião formada. “Acho que algumas escolas forçam um livro, um assunto determinado para trabalho ou prova. Aí, se o aluno não gosta do tema, lê como obrigação. É questão de experimentar. Tentar ler antes de falar que não gosta. É importante ser curiosa. Descobri este ano que amo ficção científica depois de ler O admirável mundo novo, que fala de assuntos interessantes.”

CURIOSO

Já Rafael Henrique Castro Barbosa, de 12, do Colégio Batista, conta que despertou para a leitura aos 9 anos. “Um dos motivos foi a atração pela capa do livro As crônicas de Nárnia na estante de casa. O rosto do leão e o fato da minha prima, Ana Paula, estar lendo e comentando sobre a história, me deixava curioso. Olhava para ele várias vezes, mas a quantidade de páginas me intimidava. Um dia, decidi descobrir a história, ela foi se desenvolvendo e gostei. Acho importante que, desde pequeno, meus pais, Vanessa e Hudson, leram para mim. Meu irmão mais velho, Samuel, de 19, foi outro incentivador, principalmente com os livros da saga de Percy Jackson. E meu pai está estudando teologia e anda lendo muito, o que também me motiva.”

Para Rafael, a leitura aumenta seu vocabulário e, “pela forma que os autores escrevem, ajuda na produção de texto. A maioria dos meus colegas não lê. Os meninos são mais ativos, agitados e querem jogar bola. Já as meninas, mais quietas, leem mais. Eu acho legal. Um dos meus preferidos é Um cadáver ouve rádio, de Marcos Rey, gostei muito da história de Robison Crusoe e também de O grande desafio, do Pedro Bandeira. Na verdade, o que me interessa são livros de aventuras, viagens, naufrágios e suspense. Não gosto de drama e romance”.

Estímulo à leitura

Desenvolver a linguística, aperfeiçoar o vocabulário e instigar a imaginação e a criatividade. Sabendo da importância da leitura para o desenvolvimento de crianças e adultos e do baixo índice da leitura no país, o Colégio Batista Mineiro – unidade BH Floresta – incentiva seus alunos a terem esse delicioso hábito. Tanto que há uma série de iniciativas para estimular crianças e jovens nas maravilhas da leitura, como o Literarte. Focado nos estudantes do 3º ano do ensino fundamental, o projeto visa estreitar o contato das crianças com os livros. Tudo a partir de renomados autores brasileiros, como Monteiro Lobato, Vinícius de Moraes, Ziraldo, Maurício de Sousa, Ruth Rocha, Alaíde Lisboa. O projeto, anual, tem início nos primeiros meses de aula, com a visita dos alunos à biblioteca. São semanas de estudo e contato com os clássicos da literatura infantil. Esses dias dedicados à leitura resultam em uma linda apresentação para familiares e pais. Em seguida, e dentro da programação do Literarte, o colégio faz até o dia 14 deste mês a Feira Literária, quando os convidados são levados a conhecer os autores e a adquirir novos livros. Karlla Mabel, coordenadora do 3º ano e organizadora do projeto, conta que o Literarte existe há 17 anos e o resultado é o aumento gradual do interesse pela leitura a cada edição.

Um livro para cada pessoa

Kristy Dempsey, escritora e bibliotecária da Escola Americana de BH, acaba de lançar o livro Em superhero instruction manual, no qual conta a história de um menino que sonha se tornar um super-herói e busca ajuda em um manual. O livro é voltado para crianças de 4 a 10 anos e tem o objetivo de mostrar que, na vida real, os melhores heróis surgem de circunstâncias inesperadas. Todos têm a capacidade de ser grandiosos em atitudes, gestos e qualidade pessoais.“Estudos mostram que a melhor maneira de fazer crianças e adolescentes ler e amar a literatura é colocar as escolhas nas mãos dos leitores. Basta ter literaturas diversas e disponíveis para eles escolherem o que querem ler. Donalyn Miller, pedagoga conhecida como a Encantadora de Livros, diz que: ‘a leitura forma e transforma quem nos tornamos’, tanto como leitores quanto como seres humanos. Encorajamento e oportunidades para escolher o que leem tem benefícios duradouros para crianças.”

Conforme Kristy Dempsey, leitores que escolhem livremente o que vão ler desenvolvem confiança nas habilidades de tomar decisões, criam a capacidade de ter responsabilidade por suas escolhas, criam confiança e reforçam um sentido de autoconhecimento, melhoram suas habilidades em leitura e continuam leitores ao longo da vida. Para ela, qualquer leitura é válida. “O que importa é ler, independentemente do gênero. Mas se a gente quer que nossos filhos fiquem engajados nos clássicos ou em literatura considerada mais nobre, precisamos engajá-los em literatura que eles se interessam desde cedo.”

Para a bibliotecária, a responsabilidade do gosto pela leitura é dos pais. “Em meu mundo utópico, toda criança chegaria no primeiro dia da escola na vida com centenas de livros já lidos com os pais em casa. Autora e pedagoga Mem Fox diz que, ‘leitores são criados nos colos dos seus pais’. Se a criança chega na escola já com um amor pela leitura, aprender a ler vai ser um privilégio, independentemente da dificuldade com as mecânicas de leitura. Cada família deve ter tempo junto para a leitura, seja em voz alta, ou cada um com seu livro em seu cantinho. A criança que vê o pai ou a mãe lendo pelo prazer vai valorizar a leitura”, afirma. Ela conta que, claro que tem alunos que chegam na escola afirmando que odeiam ler. “Dou um sorriso e digo que ele não encontrou seu livro ainda e que em nossa biblioteca existem tantos livros maravilhosos que ele deve se preparar para uma caça aos tesouros. Acredito que existe um livro para cada pessoa, o livro que vai tornar essa pessoa um leitor.”

TÁTICAS

Para Kristy Dempsey, a leitura é um tipo de ensaio emocional. “Por meio da literatura, experimentamos e aprendemos sobre partes da vida, que não conhecemos ainda. Começamos a criar um roteiro para nossas vidas. Quando o aluno lê só para terminar um exercício, ele não nada nas ideias e nas emoções do livro. Se eles não estão se vendo dentro do livro, devemos mudar nossas táticas de ensino”, diz.

Kristy Dempsey conta que, em seu livro, escolheu um assunto que chamaria a atenção dos pequenos: super-heróis! “Em minhas interações com crianças de 4 e 5 anos na escola,elas afirmaram um desejo de ter superpoderes. Eu queria ajudá-los a descobrir o que realmente nos torna super: a bondade e o desejo de ajudar. É assim que salvamos o mundo.”

Ser espelho e ponte

Jane Patrícia Haddad, mestre em educação, afirma que é urgente rever o sentido da literatura, principalmente na educação infantil (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)

Jane Patrícia Haddad, mestre em educação, afirma que é urgente rever o sentido da literatura, principalmente na educação infantil (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)

“Acredito que o livro (o bom) é uma ponte entre as gerações, uma forma de contato, onde pais, avós, filhos, professores e alunos possam se encontrar, se reconhecer e principalmente colocar a palavra em movimento”, acredita Jane Patrícia Haddad, mestre em educação. Para ela, nas escolas, faz-se urgente rever o sentido da literatura, principalmente na educação infantil. “Não, não é mais aceitável uma educação que prevê uma leitura direta da linguagem e da fala, onde professores transmitem e alunos aprendem. A leitura afetiva, feita e apresentada por pais e professores, é nela que existe ou não a palavra. Olhar essa criança é apostar nela, por meio da boa literatura é possível nos desarmarmos de qualquer defesa e pré-julgamento, principalmente de modelos padronizados”, afirma.

Jane Patrícia Haddad ressalta que ler é se reinventar em um mundo de pressa e ausência de sentido. “Tentemos não ter tanta pressa com a infância, abram mais tempo para os livros infantis, para a música, para a arte, talvez assim, tenhamos que ensinar menos o acolhimento com as diferenças, a tolerância com os idosos… O bom livro permite o encontro de afetos, um encontro sem pressa, um encontro de presença e de escuta. Uma escuta que permita um tecer de outras histórias e saberes.”

ALICE E POLYANA A mestre em educação lembra que a infância não é apenas uma etapa do desenvolvimento, não é um processo linear e único, é muito mais do que isso. “Criança é o que acreditamos que ela seja. Eu mesma fui uma criança que encontrou na literatura uma forma de sair de conflitos psíquicos. Encontrei na literatura uma saída positiva frente aos impasses do medo, da raiva, das perdas, da desatenção. Foi pelas mãos de professores e dos livros que desenvolvi atitudes responsáveis frente ao mundo. Foi nos professores que encontrei o afeto perdido na pressa da minha casa, foi no livro Alice no país das maravilhas que decidi encontrar o meu caminho. Foi no clássico Polyana que encontrei uma amiga que sentia o que eu sentia… foi no olhar da Tia Benedita (bibliotecária) que eu entendi que o castigo poderia ser amoroso… Enfim, a literatura é uma saída do mundo sem sentido, onde o essencial vem se perdendo nas urgências de uma sociedade adoecida, querendo preparar crianças e jovens para o mercado de trabalho.”

Com know-how, Jane Patrícia Haddad avisa que “a melhor forma de tornar nossos filhos e alunos leitores é oferecer a eles o caminho da fantasia, dos sonhos e do simbólico. Os livros são atalhos do coração, são possíveis exemplos de amor e sedução. Ler é reler o que muitas vezes nos foge. Leiam e permitam que seus filhos e alunos experimentem seus efeitos”.

Como fazer crianças e adolescentes lerem? Para a psicanalista e escritora Maria Elizabeth Timponi de Moura, Beth Timponi, a pergunta a faz lembrar um Hai-Kai de Issa Kobayashi (1736-1827 aproximadamente): “O apanhador de nabos/Mostra o caminho/Com um nabo/. Acredito que um professor que coloque essas três linhas no quadro vai ouvir a moçada falar sobre a corrupção no Brasil, sobre o antagonismo entre falar e fazer, sobre como pensamos tendo como referência o trabalho que fazemos. Não vejo outra forma de incentivar a leitura, principalmente dos clássicos, se sua atualidade e valor não forem revigorados por um leitor que contextualize os textos. Seria melhor dizer: ler com os clássicos, repensar com eles, dialogando com outros e também produzindo textos a partir da leitura. O estímulo para a leitura está na abertura que ela produz de um campo que ofereça espaço para o leitor entrar em atividade e colocar algo de si mesmo e de seu tempo”.

Na literatura infantil não poderia ser diferente, alerta Beth Timponi. “Freud entendeu que o escritor faz seu trabalho quando consegue justamente remover as barreiras que impedem o leitor de se deixar levar pelo imaginário, pela ficção. A criança tem uma atividade imaginária muito aflorada e interessante. Mais do que isso, é pela via do imaginário que completa as lacunas do que ainda não tem recursos para simbolizar: fatos que vê, palavras que ouve, coisas que experimenta inclusive em seu próprio corpo.”

EXPRESSÃO A psicanalista explica que pelo imaginário a criança tenta construir algumas teorias sobre o mundo em que vive, sobre a dinâmica das relações afetivas na família e de seu lugar nela. Monta cenas, constrói personagens, faz desenhos numa atividade incessante de investigação, expressão e tradução. “As histórias infantis oferecem uma oportunidade excepcional para que a criança possa externalizar ou mesmo construir e dar forma ao que se passa em seu íntimo. É também um momento privilegiado em que a distância entre a criança e o adulto diminui já que ambos estão envolvidos numa trama que lança para uma outra dimensão problemas e situações diversas que a vida oferece. É o adulto que mostra o caminho da literatura para a criança ou adolescente na medida em que oferece um livro e lê, não para eles, mas com eles.!”

Interessados em compartilhar livros ou escolher um exemplar para levar para casa sem custo podem fazer uma visita ao Container com Letras, no hall das Bandeiras da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A ação itinerante, que vai até o dia 23, das 10 às 19h, é uma iniciativa da organização não governamental Biblioteca de Compartilhamento e conta com o apoio da ALMG. Cerca de 15 mil obras estão disponíveis aos visitantes nas estantes do container de seis metros de comprimento, estruturado com ar-condicionado, computador, internet e uma tenda anexa com espaço para leitura. “Baseamos em valores da sustentabilidade e na ideia do desapego para propor, por meio do projeto, a desconstrução do conceito de propriedade. Acreditamos que o que fica acumulado deve circular, inclusive na literatura”, explica Giane Drumond, uma das diretoras do Biblioteca de Compartilhamento. O acervo atual do projeto tem mais de 45 mil livros, divididos em dois containers e um ponto de estoque.

Pequeno salto

A quarta edição da Pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” (2016) feita pelo Instituto Pró-Livro e aplicada pelo Ibope Inteligência, com o apoio da Abrelivros, Câmara Brasileira do Livro e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), mostrou que o número de leitores no Brasil subiu 6 pontos percentuais entre 2011 e 2015. O levantamento teve abrangência nacional e aponta que o país tem cerca de 104,7 milhões de leitores, ou seja, 56% da população. A metodologia considera como leitor aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses. E o não leitor é aquele que declarou não ter lido nenhum livro nos últimos três meses mesmo que tenha lido nos últimos 12 meses. A pesquisa revelou que o brasileiro lê, em média, 2,54 livros no período referência de três meses anteriores à pesquisa. O número equivale a 4,96 livros por habitante/ano. O levantamento considerou todos gêneros: literatura, contos, romances, poesia, gibis, Bíblia, livros religiosos e didáticos. Quanto as motivações para ler, depois do “gosto ou interesse pessoal”, com 47%, a motivação religiosa foi apontada como a segunda principal razão para ler, com 22% das respostas.

As aquarelas originais de ‘O Pequeno Príncipe’

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Edson Caldas, no Buzz

O único livro infantil de Antoine de Saint-Exupéry acabou virando uma das obras mais amadas de todos os tempos. O que poucos sabem é que o escritor deu vida à história não em Paris, mas em Nova York, onde chegou em 1940, após a invasão nazista na França.

Em abril de 1943, logo após o livro ser publicado, Saint-Exupéry enfiou os manuscritos e desenhos de O Pequeno Príncipe em um saco de papel marrom e os entregou a sua amiga Silvia Hamilton. “Eu gostaria de lhe dar algo esplêndido”, disse a ela, “mas isso é tudo o que tenho”. Ele tinha 44 anos quando morreu durante uma missão militar.

O Pequeno Príncipe não foi publicado na França, terra natal do autor, até dois anos após a sua morte. Mesmo nos Estados Unidos, o sucesso inicialmente foi apenas moderado. Em 1968, The Morgan Library, em Nova York, adquiriu os manuscritos. Agora, uma nova exposição explora o processo criativo de Saint-Exupéry por meio dos escritos que excluiu da versão final — o original tem quase o dobro do tamanho livro publicado.

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Ilustração original de “O Pequeno Príncipe” (Foto: Reprodução)

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Ilustração original de “O Pequeno Príncipe” (Foto: Reprodução)

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Ilustração original de “O Pequeno Príncipe” (Foto: Reprodução)

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Ilustração original de “O Pequeno Príncipe” (Foto: Reprodução)

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Ilustração original de “O Pequeno Príncipe” (Foto: Reprodução)

15 curiosidades d’O Pequeno Prícipe e de Antoine De Saint-Exupéry

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Caio Raphael Passamani, no Literatortura

O Pequeno Príncipe. O mero mencionar da obra-prima de Antoine de Saint-Exupéry enseja questões interessantíssimas que permeiam seu perspicaz enredo. Não é por menos.Esta é a terceira obra literária mais traduzida em todo o mundo – sendo A Bíblia Sagrada a primeira e a obra O Peregrino, a segunda. Ademais, a obra em voga foi traduzida para mais de 250 idiomas e dialetos, vendendo mais de 140 milhões de cópias ao redor do mundo.

Desde sua primeira publicação, no ano de 1943, a história do principezinho fascinou leitores de todas as faixas etárias e, por conseguinte, conquistou uma renomada posição em âmbito literário. Quão grande é a singularidade desta obra de Saint-Exupéry, o Literatortura não poderia deixar de abordá-la aqui por meio duma lista de curiosidades.
Boa leitura!

VIDA DO AUTOR

#1. Antoine de Saint-Exupéry, assim como o narrador de O Pequeno Príncipe, foi piloto de avião. A bem da verdade, o autor prestou serviço militar para a França – seu país de origem – no início da Segunda Guerra Mundial.

Antoine de Saint-Exupéry

Antoine de Saint-Exupéry

#2. O autor já chegou a fazer alguns pousos no Brasil entre 1928 e 1930. Latécoère – uma empresa francesa para a qual Saint-Exupéry trabalhava – tinha uma base de abastecimento na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina. Por lá, o autor ficou conhecido como “Zeperri”. Posteriormente, em sua obra Vôo Noturno, o autor cita a cidade de Florianópolis. Atualmente, uma pousada leva o nome abrasileirado do autor: a Pousada Zeperri, localizada na Praia do Campeche – Florianópolis.

#3. No dia 30 de Dezembro de 1935, Saint-Exupéry e o copiloto André Prévot voavam por cima do Deserto do Saara. Na verdade, eles estavam prestes a quebrar o recorde de velocidade numa corrida aérea da qual faziam parte. Por volta das 02:45 da manhã, um imprevisto ocorreu. Por infortúnio, sua aeronave (uma Caudron C-630 Simoun) caiu. Eles milagrosamente sobreviveram. Tendo de lidar com o intenso calor do deserto, os aviadores ficaramdesidratados; viram miragens e tiveram alucinações. No quarto dia, um Beduíno (integrante de grupos árabes que habitam o deserto) os encontrou. Deu-lhes o devido tratamento de reidratação e salvou-lhes a vida.
Daí pode-se entender o porquê de o principezinhoter caído exatamente no Deserto Do Saara.

Saint-Exupéry após a queda no Deserto do Saara

#4. Todas as aquarelas que aparecem em O Pequeno Príncipe foram pintadas pelo próprio autor. Ele estudara, em sua juventude, arquitetura, mas não considerava-se um artista. De modo similar, o narrador do livro alega que

“As pessoas grandes aconselharam-me deixar de lado os desenhos de jibóias abertas ou fechadas, e dedicar-me de preferência à geografia, à história, ao cálculo, à gramática.”.
capítulo I

A OBRA

#5. É o livro mais lido da língua francesa; considerado, na França, comoo melhor livro do século XX.

#6. A despeito da forte relação entre O Pequeno Príncipe e o idioma francês, o livro teve sua primeira publicação nos Estados Unidos, em 1943. Foram lançadas, nessa ocasião, tanto a versão em inglês quanto a em francês.

#7. A obra foi escrita durante um exílio de Saint-Exupéry nos EUA. Em tal contexto, o autor tentava convencê-los a entrar na Segunda Guerra Mundial contra a Alemanha Nazista.

INSPIRAÇÕES PARA PERSONAGENS

#8. É provável que a sábia raposa de O Pequeno Príncipetenha nascido duma experiência real. Em 1928, no norte do Deserto do Saara, enquanto servia o exército francês, Saint-Exupéry encontrou um Feneco – mais conhecido como raposa-do-deserto. O autor chegou a criá-la durante sua estadia local. Ainda neste âmbito, acredita-se que as falas da raposinha muito tem a ver com uma antiga colega de Antoine – Silvia Hamilton Reinhardt, da cidade de Nova Iorque. A famosa frase “Só se vê bem com o coração.” muito provavelmente foi dita por ela.

Fenecos; também conhecidos como “raposas-do-deserto”

Fenecos; também conhecidos como “raposas-do-deserto”

#9. A rosa do principezinho, por sua vez, foi inspirada em Consuelo de Saint-Exupéry: a esposa de Antoine. Ela nasceu em El Salvador – um país conhecido como “A Terra dos Vulcões”, por abrigar muitos destes. Daí pode-se inferir de onde veio a ideia para o pequeno lar do principezinho: o asteroide B-612.

#10. O perigo que as árvores baobás representavam para o lar do principezinho também está relacionado com a realidade. O tal perigo nada mais é senão o que o Nazismo representava para Saint-Exupéry.

#11. A aparência do pequeno príncipe pode ter ligação com a própria aparência de Antoine Saint-Exupéry quando jovem. Isso porque, nessa época, seus amigos e familiares costumavam chamá-lo deRoi-Soleil (Rei do Sol) devido a seus cabelos – até então loiros e encaracolados.

FILOSOFIA

#12. A despeito das características que aproximam a obra da Literatura Infantil (o intercolutor são as crianças; há uma porção de aquarelas ao longo do livro; os parágrafos são curtos e o vocabulário, bastante acessível), O Pequeno Príncipepode também ser considerado literatura filosófica.

#13. O contato direto com a Segunda Guerra Mundial suscitou experiências e ponderações que, a posteriori, foram claramente evidenciadas em sua obra-prima.

#14. O Pequeno Príncipe pode ser considerado um apanhado de parábolas existencialitas. Finda a observação da obra, há de se observar que quase todos os capítulos – pequenos fragmentos da viagem do principezinho – abordam críticas à sociedade do entre-guerras. O autor faz uso, inclusive, de dualidades como vida/morte, amigo/inimigo e sociedade/indivíduo para solidificar as questões que traz à tona.

#15. Dentro do âmbito filosófico, é possível fazer analogias entre postulados de grandes existencialistas e enredo/trechos da obra em questão. Observe:

A) SørenKierkegaard começou a investigar o significado do que era “ser um ser humano” olhando-o como indivíduo autônomo, e não como parte dum grande sistema filosófico (como fizera Hegel). Ele alegou que a vida humana é determinada por escolhas livres e subjetivas. A liberdade total de escolha implica, todavia, um sentimento de angústica e apreensão naquele que está por decidir algo. Deste modo, Kierkegaard forneceu o sustentáculo para a escola existencialista.
Jean-Paul Sartre, dando continuidade às ideias existencialistas de Kierkegaard, alegou que “a existência humana precede sua essência; seu propósito”. Com isso, Sartre queria dizer que o homem não nasce com um propósito pré-determinado; não é feito para qualquer finalidade específica.Por conseguinte, o ser humano há de criar seus próprios propósitos; tornar-se aquilo que faz de si; definir a si mesmo.

O filósofo existencialista Jean-Paul Sartre

Esta liberdade inerente às escolhas subjetivas, entretanto, motiva o crescimento duma angústia ou apreensão interna. Afinal, após uma escolha pessoal vem sua respectiva consequência.
Pontos estes parecem ser trabalhados com uma profunda simplicidade por Antoine de Saint-Exupéry. A autonomia da ação (liberdade) e suas consequências são evidenciadas, por exemplo, no ato de partida do principezinho pelos planetas afora, em cortar as árvores baobás de seu planeta ou em escolher regar sua flor.

A fim de proteger sua rosa de bichos e do vento, o Pequeno Príncipe a preservava dentro duma redoma de proteção.

“– Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.”
capítulo XXI

B) Durante sua viagem interplanetária, o principezinho tenta “[…]procurar uma ocupação e se instruir”. Mesmo sabendo que tal processo seria subjetivo, ele entra em contato e dialoga com habitantes de outros planetóides. De maneira similar, o existencialista Karl Jaspers alega que é necessário que o homem descubra sua “verdade” por meio de seus próprios esforços. Não obstante, ressalva que essa busca pela verdade há de ser realizada com todos os “companheiros de pensamento”.

Por fim, vale salientar que, de modo geral, a relação existencialismo/crítica social ganha destaque ao passo que o autor vai evidenciando as ações subjetivasdas “pessoas grandes”. Como diria Sartre, tais decisões definem a vida de quem as toma .
Confira os trechos que isso demonstram:

“E eu corro o risco de ficar como as pessoas grandes, que só se interessam por números.”
capítulo IV

“Devia tê-la julgado pelos atos, não pelas palavras. […] Mas eu era jovem demais para saber amá-la.”. capítulo VIII

O planeta do bêbado

“Bebo para esquecer que tenho vergonha de beber”.
capítulo XII

“É útil para os meus vulcões, é útil para a minha flor que eu os possua. Mas tu não és útil para as estrelas…”.
capítulo XIII

“– Onde estão os homens? A gente está um pouco sozinho no deserto.”
“– Entre os homens também.”.
capítulo XVII

“– Os homens? […]não se pode nunca saber onde se encontram. O vento os leva. Eles não têm raízes. Eles não gostam de raízes.”.
capítulo XVIII

O principezinho e a raposa.

“– A gente só conhece bem as coisas que cativou. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos.”
capítulo XXI

Adolescente ‘gênio’ da Mongólia inventa sistema de alerta e vira aluno do MIT

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Publicado na Folha de S.Paulo

O adolescente mongol Battushig Myanganbayar, 17, é um dos calouros de engenharia deste ano no MIT, nos EUA, uma das melhores e mais concorridas universidades do mundo.

A diferença entre ele e os demais alunos da sua turma é que Battushig foi convidado para estudar lá.

O garoto foi descoberto pelo MIT quando cursou a disciplina “Circuito e eletrônica” no Edx, uma plataforma de cursos livres, abertos e de graça do MIT (veja mais sobre esse curso aqui).

O desempenho do garoto, então com 15 anos, surpreendeu os docentes de MIT.

Não bastassem as boas notas (ele tirou dez em tudo), o pequeno Battushig ainda desenvolveu, durante um curso, uma espécie de sirene que avisa crianças que estão brincando na rua quando há um carro de aproximando.

Ele explica a sua invenção em um vídeo do YouTube (feito em bom inglês).

Impressionada, uma equipe de professores do MIT viajou até Ulan Bator, a cidade do garoto na Mongólia, e acabou convidando o menino para se mudar para os Estados Unidos.

A história ganhou projeção e o garoto foi apelidado de “o gênio da Mongólia” pela imprensa norte-americana.

ABRE-PORTAS

O que surpreende no caso de Battushig é a evidência de que cursos on-line oferecidos por grandes universidades dos EUA em plataformas como o Edx ou Coursera podem, de fato, disseminar conhecimento e incentivar novos talentos em todo o mundo.

Esses cursos são os chamados MOOCs que, na tradução do inglês, significam “cursos massivos abertos e on-line”. Duram em média dez semanas com aulas em vídeos, trabalhos e provas. Tudo de graça e pela internet.

O Edx tem 72 cursos e funciona há dois anos (detalhe: o garoto mongol foi um dos primeiros alunos da plataforma!). O Cousera é um pouco mais novo e bem maior: são 450 cursos com quase 5 milhões de alunos em todo o mundo.

Os MOOCs são um investimento grande das universidades participantes. Mas, considerando que o que essas universidades querem são alunos gênios como Battushig, essas plataformas de cursos gratuitos podem ser um eficiente caminho de busca.

Como Tatiana Belinky e sua biblioteca transformaram um garoto em escritor

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Mônica Cardoso, na Folha de S.Paulo

Quando era criança, David Nordon adorava se perder na enorme biblioteca de sua “tia-avó”, a escritora Tatiana Belinky. Dentre os mais de 5 mil livros, o garoto escolhia o mais grosso e pedia para ela ler, assim como alguns sucessos dela como “O Grande Rabanete” e “O Caso do Tio Onofre”.

Nos últimos anos, a situação se inverteu. Como já não enxergava as letrinhas miúdas por causa de um problema na visão (mácula na retina), era David, hoje com 25 anos, quem lia seus próprios livros para Tatiana. “Ela ficava escutando, fechava os olhos para imaginar e ria junto. Achava que meus contos e crônicas tinham humor e até exagerava, dizendo que eu escrevia melhor do que ela”, conta David.

A escritora Tatiana Belinky na biblioteca de sua casa (Victor Moriyama/Folhapress)

A escritora Tatiana Belinky na biblioteca de sua casa (Victor Moriyama/Folhapress)

Sim, porque as leituras de Tatiana mudaram a vida do garotinho curioso. “Acho que ela me influenciou a gostar de ler e fez aflorar minha vontade de escrever. Se não fosse a Tati, não teria o gosto de escrever para crianças.”

Com ela, David aprendeu que literatura infantil não deve subestimar o pequeno leitor. “O livro deve ser simples e inteligente, com algumas palavras complicadas para as crianças ficarem curiosas. E não pode ser chato.”

David lembra quando mostrou seu primeiro livro para Tatiana, há onze anos, que, com todo jeitinho, lhe fez uma crítica. “Ela falou que faltava a grande literatura, com L maiúsculo, que eu deveria ler os grandes clássicos, como Machado de Assis e todos os escritores russos. Na época, fiquei bravo, mas percebi que ela estava certa. Depois, reescrevi o livro inteiro para me aperfeiçoar”, diz. “Ela gostava de todos os escritores russos com T: Tchecov, Tolstoi, Tatiana…”, brinca.

O conselho parece ter dado certo e Tatiana escreveu a contracapa dos três livros infantojuvenis de David, que compõem a coleção Leituras Inesquecíveis: “Poesias e Limeriques”, “Contos de Fadas Modernos” e “Crônicas do País Pernil” (ed. Evoluir Cultural; R$ 29,90 cada volume).

Além das leituras, Tatiana gostava de conversar e contar histórias, algumas bem curiosas, como viu pela primeira vez uma banana, ao chegar da Rússia ao Brasil. Para incentivar as crianças a ler, dava o seguinte conselho: espalhe livros pela casa inteira, até no banheiro.

“Ela errava o abrir e fechar as vogais em português. E tem alguns limeriques que só são entendidos se errar a rima, em vez de falar um ‘o’ fechado, falar de forma aberta.”

E só um segredinho: na verdade, Tatiana e David não eram parentes. Ela era sogra de sua tia. Mas pouco importa, já que a escritora o chamava de “sobrinheto”, uma mistura de sobrinho e neto. E ele retribuía o carinho e lhe tratava como avó.

E para ela, que morreu em 15 de junho, David fez uma homenagem toda especial: um limerique sobre a sua enorme biblioteca, como ele pensa em montar uma igualzinha.

Tati Trança-Rimas

Tatiana é uma garota sapeca,
A palavra é a sua boneca.
Ao céu subiu,
Com muito brio.
E lá montará uma nova biblioteca

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