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Como os livros podem salvar sua vida

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Publicado por Fred Di Giacomo

Antes de ter dinheiro para conhecer o mar ali do lado, no litoral paulista, eu já tinha rodado o mundo com os navios de John Silver e Gulliver, tinha ido até o coração da África com Livingstone e admirara o Mississipi em aventuras passadas com Tom Sawyer. Antes de sonhar em entrar na universidade, eu tivera algumas aulas curtas com mestres como Camões, Darcy Ribeiro e Platão. Eu não tinha uma namorada ainda, mas achava que Romeu e Julieta tinham sido muito ansiosos em se matarem e que o primo Basílio era um tremendo sacana.

Marilyn Monroe lendo o clássico “Ulysses”, de James Joyce. Seus poemas foram reunidos em “Fragments: Poems, Intimate Notes, Letters”

Marilyn Monroe lendo o clássico “Ulysses”, de James Joyce. Seus poemas foram reunidos em “Fragments: Poems, Intimate Notes, Letters”

 

Na minha vida, tive três grandes influências: meus pais, os livros e a música — inicialmente cavalgando os três acordes do punk rock. Provavelmente, meus pais — professores — foram a mais importante de todas, porque foram eles que me estimularam a ler desde os 6 anos de idade. Seu grande tesouro era uma biblioteca recheada de livros que me rodearam por toda infância e adolescência. Livros que disputavam espaço com os móveis e pessoas em casa. Livros e seu cheiro de papel novo ou amarelado, espalhados, deitados, catalogados. Livros cheios de nomes estranhos que eu fui decifrando quando aprendi o “bê — a — bá”: Macunaíma (seria um livro sobre índios?), Trópico de Capricórnio (um livro sobre geografia?), Guimarães Rosa (um homem com nome de flor?). O que aqueles livros grossos e sem figuras tinham de tão legal para tomar a atenção dos meus pais por tanto tempo? Entre um livro da coleção Vaga-Lume e um infantil da Ruth Rocha, fui descobrindo que livros ensinavam, divertiam e viciavam sem grandes efeitos colaterais. Aliás, o único efeito colateral dos livros era te deixar mais inteligente.

Os livros foram meu curso de inglês, meu reforço escolar, minha aula de administração, game design e cultura geral. Graças a eles eu tive assunto em mesas de bar, entrevistas de emprego e reuniões de negócio.

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Cientificamente, já se provou que ler faz muito bem para o ser humano. A leitura retarda suas chances de desenvolver Alzheimeir, melhora sua memória, reduz o estresse e combate a depressão. Mais que isso: ler te ajuda a escrever melhor, aguça o pensamento analítico e aumenta seu conhecimento. E você pode perder sua casa, seu dinheiro e sua família, mas nunca ninguém poderá tirar seu conhecimento. (A não ser que te façam uma lobotomia, é claro.)

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Albert Einstein: o único efeito colateral da leitura é torná-lo mais inteligente

Albert Einstein: o único efeito colateral da leitura é torná-lo mais inteligente

 

Se você quer ficar rico ou garantir a paz mundial. Se você quer entender o sexo oposto ou apenas fazer mais sexo. Se você quer aprender uma língua ou se preparar para o mercado de trabalho, então LEIA. Leia tudo que cair na suas mãos, mas comece com leituras que te agradem. Uma das coisas que mata o prazer da leitura é dar para uma criança de 10 anos a obrigação de devorar as obras de José de Alencar. O menino abre as primeiras páginas cheias de descrição rococó de “O Guarani” e dorme no segundo parágrafo. Quando acorda, vai jogar videogame. Eu adoro videogame , mas acho que todo mundo deve reservar umas horinhas para a leitura no seu dia. E você deve começar lendo o que te dá prazer. Também não vale a pena começar com coisas muito difíceis. Encare a leitura como um jogo: a cada fase você vai evoluindo um pouco. Quando eu tinha 10 anos abri o “Grande Sertão: Veredas” e não entendi uma frase; catorze anos depois, ele se tornou um dos meus livros favoritos. Você é uma pessoa romântica? Leia “Bridget Jones”. Você acha que todos os livros só falam de playboys? Leia “Cidade de Deus”. Você gosta de aventura? Leia “Os Três Mosqueteiros”. Livros não são chatos. Acredite, existem livros sobre sexo e drogas, rock n’ roll. Existe um livro para cada pessoa, você só não achou o seu ainda.

Como já disse, sugiro que você comece lendo sobre o que gosta. E, quando o que você gosta se tornar a leitura, expanda seu universo. Aí está a verdadeira magia da literatura: ela te permite viajar pelo mundo, pelo tempo e para lugares que nunca existiram. Ela te permite ter aulas com os melhores professores do mundo. A literatura é a única universidade onde você pode aprender sobre felicidade com Aristóteles, sobre o mal com Hannah Arendt e sobre a guerra com Sun Tzu. Você pode descobrir como era a vida de uma escrava em “Um defeito de cor”, ir até o inferno com “A Divina Comédia” ou se aventurar com elfos e anões em “O Senhor dos Anéis”.

Bukowski num momento de leitura íntima

Bukowski num momento de leitura íntima

 

Depois que você descobrir um autor favorito, comece a criar uma “teia de autores” que se relacionam com ele. Eu descobri o Bukowski na faculdade e adorei seu “Misto Quente”, que falava da infância e adolescência de um garoto feio, pobre e virgem de uma forma crua, sarcástica e, ainda assim, engraçada. Tive aquela mágica sensação de “escreveram essa história para mim” e terminei o livro com vontade de tomar uma cerveja com o autor. Tinham me falado que Henry Miller seguia uma linha parecida e, então, fui ler seus livros. De lá, passei por Anaïs Nin, Nietzsche, os beats e John Fante numa prazerosa sequência de descobertas de uma literatura (e filosofia) marginal. Em outras palavras: você descobriu o prazer da literatura lendo “50 tons de cinza”? Leia, na sequência, “Crepúsculo” que inspirou o livro de E. L. James e continue com o “O morro dos ventos uivantes”, de Emily Brönte — o livro favorito de Bella e Edward. Em um ano, você estará lendo Jane Austen e vai ter se divertido muito no caminho.

Um dado interessante: ler aumenta sua empatia. Quando você lê histórias da vida de mulheres mulçumanas, meninos afegãos e angolanos alforriados; você passa a ver todas essas pessoas como… Pessoas. Você começa a enxergar a humanidade como uma (turbulenta) família. Você percebe que os “outros” são como você. Você entra na vida de pessoas com as quais você nunca conviveu e se identifica com o que existe de universal em toda vida humana: a dor, o amor, o ciúme, o medo, a inveja… Quase o mesmo efeito de viver em outro país. Por isso, como escrevi antes, eu recomendo que você comece lendo sobre o que te interessa e depois passe a ler de tudo — inclusive livros de pessoas completamente diferentes e opostas a você. Eu sempre simpatizei com autores da esquerda libertária, mas aprendi muito com conservadores como Céline, Nélson Rodrigues, Paulo Francis e Gilberto Freire. O maior símbolo da nossa direita — Reinaldo Azevedo — diz que seu autor favorito é o comunista Graciliano Ramos. Quer se arriscar? Se você é um machista convicto, leia “O Harém de Kadhafi” e depois Simone de Beauvoir. Se você é um stalinista, leia “1984” e “A revolução dos Bichos” (ambos escritos por um militante socialista, o grande George Orwell). Leia quem escreve o que você concorda e quem escreve o que você discorda. Mesmo que você não passe a concordar, isso lhe dará melhoras argumentos em seus próximos debates. Aliás, antes de entrar em um debate no bar ou na internet, antes de emitir opiniões definitivas, antes de sentenciar alguém em seus julgamentos: leia sobre o assunto, pesquise, reflita. Existem excelentes livros sobre seu tema polêmico favorito: leia!
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A Tatiane de Assis, leitora do Glück, nos mandou uma belíssima entrevista com o cineasta Cristiano Burlan — que foi criado na periferia de São Paulo e teve diversos membros de sua família assassinados ao longo de uma vida dura. Entre a pobreza, a marginalidade e a violência; o que mais me impressionou na entrevista de Cristiano foi seu amor pela literatura e as artes. Como a literatura salvou sua vida de um fim trágico. Aliás, arte e cultura têm operado milagres e salvado muita gente de uma morte violenta, como bem lembrou o cantor Criolo. Tem salvado tantas almas quanto as igrejas espalhadas pelo mundo. Mas a literatura não serve de apoio apenas aos marginalizados. Ela ajuda executivos a subirem em suas carreiras, viajantes a conhecerem o globo, apaixonados a fazerem declarações bonitas e deprimidos a enxergarem algum sentido no labirinto da existência.

Malala sofreu um atentado por lutar pelo direito das mulheres poderem frequentar escolas no Paquistão. Na foto, ela lê no hospital.

Malala sofreu um atentado por lutar pelo direito das mulheres poderem frequentar escolas no Paquistão. Na foto, ela lê no hospital.

Se eu tivesse só um conselho para dar para você, leitor desse blog em busca da felicidade, eu repetiria: leia. Leia tudo que você puder. Faça carteirinha na biblioteca municipal da sua cidade, se você não tem dinheiro. Troque suas roupas de marca por centenas de livros, se você é rico. Presenteie seus amigos com livros. Pesquise sobre os autores, vá a sebos, leia livros que estão gratuitos na internet. E, se você quiser bater um papo sobre literatura, estou aqui pronto pra passar uma madrugada enchendo o saco de todos falando sobre meus livros favoritos, os livros que eu preciso ler antes de fazer 40 anos, os livros que quero escrever um dia e até sobre um livro-disco que escrevi. Mas leia. Se tem um conselho que eu posso dar para quem quer mudar de vida é esse.

Os livros salvaram minha vida. Eles podem salvar a sua também.

dica do Marcos Vichi

Hidra, o refúgio grego de Leonard Cohen

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O escritor e compositor Leonard Cohen

O escritor e compositor Leonard Cohen

Carol Cunha, no Roteiros Literários

Localizada a duas horas de barco de Atenas, na Grécia, Hidra é uma pequena ilha rochosa que parece saída de um cartão-postal. Casinhas de pedra, ruas estreitas de paralelepípedo, um belo pôr-do-sol sob o mar Egeu despontam na linha do horizonte.

O nome Hidra significa “água” em grego. No século 17, o lugar era um importante entreposto comercial para Veneza, na Itália. Durante o Império Otomano e no século 19, a região tinha uma poderosa frota naval e, ali, as famílias de capitães da Marinha construíram mansões com uma arquitetura singular.

Hoje a ilha de dois mil habitantes mantém intacta a fama de ser a mais preservada da Grécia. Apesar de ser rota de verão para os europeus e atenienses, o lugar é menos agitado do que as badaladas ilhas de Santorini ou Míconos, sendo indicada para quem busca relaxar e aproveitar o ritmo mais lento da vida.

Uma das maiores experiências em Hidra é andar a pé. Isso porque os carros e bicicletas são proibidos em toda a ilha e as caminhadas são parte da rotina. Para quem não encara o sobe e desce das colinas com facilidade, o transporte pode ser feito na carona de jegues, um dos símbolos da cultura local.

Logo na entrada da baía em formato de ferradura, o turista encontra o Porto de Hidra, lugar central onde tudo acontece: o vaivém dos pescadores, táxis marítimos, turistas, cafés, lojinhas de joias, bares e tavernas onde se podem saborear pescados e mariscos frescos.

Vista da ilha de Hidra

Vista da ilha de Hidra

Nos últimos anos, Hidra se tornou um ponto de atração para galerias de arte contemporânea e sede de uma importante escola de Belas Artes. Antes de se tornar um destino para quem gosta de arte, a ilha já foi um refúgio para artistas em busca de isolamento e inspiração criativa.

Durantes os anos de 1930, os escritores Henry Miller, Lawrence Durrell e o poeta grego Giorgos Katsimbalis passaram temporadas na mansão do pintor Nikos Hadjikyriakos-Ghikas, importante nome da arte moderna grega. Na época, os moradores locais ainda viviam da pesca e do mergulho livre para a coleta de esponjas.

Henry Miller em Hidra, em 1939

Henry Miller em Hidra, em 1939

Miller cita Hidra no livro O Colosso de Marússia, escrito em 1941, onde relata suas viagens pela Grécia, a quem ele se referia como “um mundo de luz” onde havia apenas duas cores, o azul e o branco. Katsimbalis seria o “colosso” real que o escritor faz alusão no título.

A partir dos anos de 1950, a cidade abrigou uma comunidade de escritores e artistas plásticos, que a considerava o lugar ideal para se viver. O cenário cinematográfico também serviu como locação para diversos filmes do cinema europeu. Como em A Lenda da Estátua Nua (1957), onde uma jovem Sophia Loren emerge das suas águas, e Profanação (1962).

O cantor e poeta canadense Leonard Cohen, considerado um mestre da poesia cantada, foi um dos que se apaixonou por Hidra, lugar que fez sua criatividade fluir e foi fundamental para suas primeiras músicas.

De uma tradicional família judaica de Montreal, no Canadá, a primeira vez que Cohen escreveu foi após a morte do pai. Ele era um garoto de 9 anos que, poucos dias depois do enterro, vestiu uma gravata do patriarca e escreveu um verso no papel. Graduado em Letras em 1956, aos 22 anos Cohen publicou seu primeiro livro de poesias, Let Us Compare Mythologies, que o ajudou a ganhar uma bolsa de estudos em Londres.

Na Inglaterra, ele comprou uma máquina de escrever Olivetti 22 e se dedicou a escrever contos e poemas. Cohen já tinha começado as primeiras linhas do seu primeiro romance A Brincadeira Favorita, mas ainda não tinha se adaptado ao clima da cidade inglesa.

Em uma tarde chuvosa, caminhando pelo bairro londrino do East End, Cohen buscou abrigo no Bank of Greece e viu um bancário bronzeado e com óculos escuros. Ele perguntou ao funcionário como estava o tempo na Grécia. “Primavera”, respondeu ele. Em poucos dias Cohen estaria embarcando para Atenas.

Ao visitar Hidra, ele se encantou pelo lugar. Lá, foi bem recebido pela comunidade de artistas expatriados. Em 1960, aos 26 anos, Cohen ganhou uma herança e comprou uma casa do século 19, no bairro de Kala Pigadia. Em carta a um amigo, ele escreve com confiança sobre sua decisão de morar na ilha: “Os anos estão voando e nós gastamos muito tempo pensando se temos coragem ou não de fazer isso ou aquilo. É preciso dar uma chance”.

Quando o músico chegou na vila não havia eletricidade, esgoto ou telefone. A canção “Bird on the Wire” começou a ser escrita na Grécia, no dia em que o telefone chegou à ilha e ele avistou os primeiros postes. “Eu olhei para fora da janela e vi os fios e pensei em como a civilização me pegou e eu não teria como escapar dela de nenhum jeito”.

Cohen passava os dias lendo, ouvindo vinis e tocando o violão. O cantor aprendeu a falar grego e se apaixonou pelo som do bouzouki, instrumento de cordas tradicional. Gostava de tocar para os amigos e beber o drink ouzo.

“Existe algo nessa luz que é honesto e filosófico”, ele diria a um jornalista em 1963 sobre a Grécia. Cohen escrevia de manhã até o meio-dia no terraço de casa. Ao final da tarde tomava um banho de mar e à noite tocava sob o pinheiro da Douskas Taverna.

Durante sua estada em Hidra, pessoas e artistas de todos os lugares apareciam na ilha. Cohen chegou a hospedar os poetas beatniks Allen Ginsberg e Gregory Corso, que estavam de passagem por Atenas. Nesta época, ele também experimentaria diversas drogas e entraria em contato com o I Ching e o budismo.

Os estrangeiros adotaram um “cantinho” como ponto favorito de encontros. A Katsikas era uma pequena mercearia ao lado do porto que tinha seis mesas onde eles costumavam conversar, beber vinho, declamar poesias e esperar as cartas que chegavam por navio.

Foi na Katsikas (que já não existe mais) que Cohen fez seu primeiro show oficial e conheceu Marianne Ihlen, sua maior musa e que aparece na contracapa do álbum Songs from a Room. A foto que mostra a norueguesa com a máquina de escrever de Cohen foi clicada na casa grega onde os dois moravam.

Recém-separada do marido, o escritor Axel Jensen, que voltou para a Noruega e a deixou com um bebê, Marianne engatou um romance com Cohen e os dois viveram juntos por 10 anos. Apaixonados, a presença dela trouxe mais tranquilidade para o poeta trabalhar. No poema Days of Kindness, Cohen escreve sobre o período:

No final dos anos 60, sem dinheiro para se sustentar, Cohen precisou voltar para Montreal. A despedida do casal foi retratada na clássica canção “So Long, Marianne”.

Depois Cohen partiu para Nova York, onde começou a escrever músicas e a deslanchar na carreira de compositor. A temporada grega rendeu três livros de poesias, o mais famoso deles Flores para Hitler (1964), e dois romances, o de estreia, A Brincadeira Favorita (1963), e Beatiful Losers (1966), ainda sem edição no Brasil. Em 2011, ele ganhou o Prêmio Príncipe das Astúrias das Letras, um dos mais importantes do meio literário.

Ao longo dos anos Cohen sempre voltou para Hidra. Hoje, sua família ainda é dona da mesma casa que o cantor comprou em 1960. Agora, os filhos Adam e Lorca e os netos passam os verões olhando para a vista do mar grego.

Casa de Leonard Cohen em Hydra

Casa de Leonard Cohen em Hydra

No aniversário de 80 anos do cantor, em 2014, fãs fizeram uma campanha para instalar um banco de praça em sua homenagem. O projeto que já foi aprovado pelo prefeito será construído em 2015, na estrada entre a vila de Hidra e Kaminia, a praia de pescadores onde Cohen costumava nadar.

Local onde será construído um banco em homenagem a Cohen (Divulgação)

Local onde será construído um banco em homenagem a Cohen (Divulgação)

COMO CHEGAR
Pode-se chegar de ferry boat a partir do Porto de Pireus, próximo a Atenas. A viagem dura cerca de duas horas e a passagem custa 25,50 euros.

PASSEIOS
TAVERNA XERI ELIA-DOUSKOS

Aberta há mais de 200 anos, a Xeri Elia é reconhecida como a taverna mais antiga de Hidra. O restaurante é especializado em frutos do mar e pratos tradicionais gregos. As mesas ficam no charmoso pátio com árvores. À noite, o local promove shows de grupos tradicionais de música grega. Leonard Cohen frequentava o lugar e gostava de tocar no pátio.

ANTIGA BILL´S TAVERN

Localizado hoje no Bratsera Hotel, é o velho bar onde Leonard Cohen costumava beber

LAZAROS KOUNDOURIOTIS MANSION

Localizado no porto de Hidra, o museu funciona em uma construção de 1780 e mostra um pouco da história da ilha e da Guerra da Independência da Grécia. Entrada: 4 Euros.

DESTE FOUNDATION

O milionário colecionador de arte contemporânea Dakis Ioannou reformou um antigo açougue e o transformou em um anexo da Deste Foundation, sua fundação para a arte contemporânea em Atenas. O local funciona apenas no verão.

MONASTÉRIOS

A ilha possui seis monastérios históricos ligados à Igreja Ortodoxa. Localizado no topo de Hidra, o Monastério do Profeta Elias oferece uma vista panorâmica de todo o lugar. O templo da Igreja Ortodoxa foi fundado por monges em 1813 e durante a revolução de 1821 serviu de prisão e exílio para líderes revolucionários. A caminhada até o topo pode ser feita em até duas horas. O Convento Agia Eupraxia é feminino, foi construído em 1865 e situa-se próximo ao Profeta Elias.

PRAIAS

Apesar do terreno rochoso, Hidra possui pequenas praias de areia branca, que podem ser acessíveis a pé e de barco. Ao sul do porto, estão as praias de Kaminia, Molos e Vlychos. Ao norte encontra-se Mandraki. Hydronetta e Spillia são pontos próximos ao porto, onde é possível nadar. As praias de Bisti, Aghios Nickolas podem ser acessadas via táxi aquático.

22 Conselhos de Stephen King para escritores(as)

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Em seu livro de memórias On Writing, King compartilha valiosos insights sobre como ser um escritor melhor.

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Walter Alfredo Voigt Bach, no Homo Literatus

O renomado autor Stephen King escreve histórias que cativam milhões de pessoas ao redor do mundo, ganhando em volta de 17 milhões de dólares por ano.

Ele não adoça o tema: “Não posso me sentar e dizer que não existem maus escritores. Desculpe, mas há muitos maus escritores.”, afirma o autor.

Não quer ser um deles? Aqui estão 22 grandes conselhos do livro de King em como ser um escritor melhor.

1. Pare de assistir televisão. Ao invés disso, leia o quanto for possível

Se você está apenas começando como escritor, sua televisão deve ser a primeira a ir embora. “É venenosa para a criatividade”, afirma o autor. “Escritores precisam olhar para si próprios e se virar para a vida da imaginação”.

Para tanto, devem ler o quanto podem. King leva um livro consigo a qualquer lugar, e até lê durante as refeições. “Se você quer ser escritor, deve fazer duas coisas acima de todas as outras: ler muito e escrever muito”, diz. “Leia amplamente e trabalhe continuamente para refinar e redefinir seu próprio trabalho”.

2. Prepare-se para mais falhas e críticas do que imagina saber lidar

King compara escrever ficção com cruzar o Oceano Atlântico numa banheira, porque em ambos “há muita oportunidade para dúvidas sobre si. Não apenas você vai duvidar de si, mas outras pessoas também. Se você escreve (ou pinta ou dança ou esculpe ou canta, suponho), alguém vai tentar te fazer se sentir mau sobre isso, é tudo”.

“Constantemente, você tem de continuar escrevendo mesmo quando não se sente bem com isso. Parar um trabalho apenas por ser difícil, emocionalmente ou imaginativamente, é uma má ideia”, ele conta. E quando você falha, King sugere se manter positivo. “O otimismo é uma resposta legítima e perfeita à falha”.

3.Não desperdice tempo tentando agradar pessoas

De acordo com King, rudeza deve ser a menor das suas preocupações. “Se você pretende escrever tão verdadeiramente quanto pode, seus dias de uma sociedade polida estão contados de qualquer modo”. Ele costumava ter vergonha do que escreveu, especialmente após receber cartas raivosas o acusando de ser fanático, homofóbico, assassino e psicopata.

Por seus 40 anos, ele percebeu que todo escritor decente foi acusado de ser um desperdício de talento. King definitivamente se ajeitou com isso. Ele conta: “Se você desaprova, só posso encolher meus ombros. É o que tenho. Você não pode agradar todos os seus leitores o tempo todo”. Então, King aconselha que pare de se preocupar.

4. Escreva primeiramente para si mesmo

Você deve escrever porque isso te traz prazer. “Eu fiz pelo puro prazer. Se você pode escrever por prazer, pode fazer isso para sempre”, afirma ele.

O escritor Kurt Vonnegut ofereceu um conselho parecido: “Encontre um assunto com o qual você se importe e sinta em seu coração que outros deveriam se importar. É esse cuidado genuíno, não são seus jogos de linguagem que serão o elemento mais sedutor de seu estilo”.

5. Enfrente coisas que são mais difíceis de escrever

“As coisas mais importantes são as mais difíceis de dizer”, diz King. “São delas que você se envergonha porque as palavras diminuem seus sentimentos.” Muitos grandes trabalhos escritos vieram após horas de pensamento. Na cabeça de King. “A escrita é um pensamento refinado”.

Ao enfrentar tarefas difíceis, tenha certeza de que está cavando fundo. “Histórias são coisas encontradas, como fósseis no solo… são relíquias, parte de um mundo pré-existente não descoberto”. Escritores devem ser como arqueologistas, escavando o quanto puderem encontrar para uma história.

6. Quando estiver escrevendo, se desconecte do resto do mundo

“A escrita deve ser uma atividade totalmente íntima. Ponha sua mesa no canto do quarto e elimine todas as distrações possíveis – de telefones a janelas abertas.”

Mantenha total privacidade entre você e seu trabalho. Escrever o primeiro rascunho “completamente cru, que me sinto livre para fazer com a porta fechada”. É a história despida, apenas de meias e cuecas.

7. Não seja pretensioso

“Uma das piores coisas que você pode fazer para a sua escrita é enfeitar o vocabulário, procurar por palavras longas apenas por um pouco de vergonha das suas curtas”, afirma King. Ele compara esse engano a vestir um animal de estimação em roupas de entardecer – tanto o animal quanto o dono ficam envergonhados, porque é completamente excessivo.

Como David Ogilvy, grande ícone no mundo dos negócios, disse em uma carta a seus empregados: “Nunca usem jargões como recontextualizar, desmassificar, atitudinal, julgamental. São marcas de um imbecil pretensioso. Além disso, não use símbolos exceto quando necessário. O simbolismo existe para adornar e enriquecer, não para criar um senso artificial de profundidade” diz Stephen.

8. Evite advérbios e parágrafos longos

Como Stephen King enfatiza diversas vezes em seu livro, “o advérbio não é seu amigo”. “A estrada para o inferno está pavimentada com advérbios”, ele crê e os compara a dentes-de-leão que arruínam seu gramado. Os advérbios são piores depois de “ele disse”, “ela disse” – essas frases ficam melhores sem adornos.

Você também deve prestar atenção em seus parágrafos, para que fluam com as voltas e com o ritmo de sua história. “Parágrafos são quase sempre tão importantes como parecem, quanto pelo que dizem”.

9. Não seja apegado demais a gramática

De acordo com King, escrita é primeiro sobre sedução e não sobre precisão.

“A linguagem nem sempre precisa usar gravata e sapatos de laço. O objeto da ficção não é a certeza gramatical, mas sim fazer o leitor se sentir bem-vindo e o contar uma história. Você deve se esforçar em fazer a pessoa se esquecer de que está lendo uma. ”

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10. Aprenda a arte da descrição

“A descrição começa na imaginação de quem escreve, mas deve terminar na de quem lê”. A parte importante não é escrever o suficiente, mas limitar o quanto será dito. Visualize a experiência que você quer proporcionar a quem lê, e então traduza o que vê em mente em palavras na página. Você precisa descrever coisas “de maneira a fazer o leitor sentir formigamentos”.

A chave para uma boa descrição é a clareza, tanto na observação quanto na escrita. Use imagens limpas e vocabulário simples para não cansar quem lê. “Em muitos casos, quando a pessoa põe a história de lado é porque ficou chata, e essa chatice veio porque o escritor se encantou com seus poderes descritivos e perde a vista de sua prioridade, que é manter a bola rolando”.

11. Não dê muitas informações de pano de fundo

“Você precisar se lembrar de que há uma diferença entre palestrar sobre o que sabe e usar seu conhecimento para enriquecer a história. Esta é ótima, aquela não”. Certifique-se de incluir detalhes apenas para mover a história adiante e persuadir a pessoa a continuar lendo.

Caso precise pesquisar, faça com que não encubra a história. A pesquisa deve se incluir nela “tão longe como um pano de fundo ou entrelinhas que você precisar”. Você pode se sentir envolvido pelo que aprende, mas os leitores vão se importar muito mais com suas personagens e enredo.

12. Conte histórias sobre o que as pessoas realmente fazem

“A má escrita é um problema de sintaxe e observação culposa. Geralmente, vem de uma recusa teimosa em contar histórias sobre o que as pessoas realmente fazem – encarar o fato, digamos, que as vezes um assassino ajuda uma senhora a atravessar a rua”. As pessoas nas suas histórias são os aspectos com os quais seu leitores mais irão se importar, e você deve se certificar de toda a dimensão das suas personagens.

13. Arrisque-se, não há jogo seguro

Primeiro e mais importante: pare de usar a voz passiva. É o maior indicador de medo. “Estou convencido de que o medo é a raiz de muitas más escritas”, diz Stephen King. Escritores devem jogar os ombros para trás, esticar as canelas e pôr a escrita a serviço.

“Tente qualquer coisa que goste, não importa quanto entediantemente normal ou ultrajante. Se funciona, ótimo. Se não, jogue fora.”

14. Entenda que você não precisa de drogas para ser um bom escritor

“Afirmar que esforço criativo e substâncias de alteração mental estão entrelaçados é um dos grandes mitos pop-intelectuais do nosso tempo”. Aos olhos de King, escritores usuários de drogas são apenas usuários. “Alegar que drogas e álcool são necessários para aflorar uma sensibilidade refinada é apenas um self-service de besteira”.

15. Não tente roubar a voz de outra pessoa

“Você não pode mirar um livro como um míssil”, afirma Stephen King. Quando você tenta imitar o estilo de outro escritor por qualquer motivo, você não produz nada além de imitações pálidas. Afinal, você nunca deve tentar reproduzir a maneira que alguém se sente e experimenta algo, principalmente sem prestar atenção a uma profunda análise de vocabulário e enredo.

16. Entenda que a escrita é uma forma de telepatia

“Todas as artes dependem de telepatia em algum grau, mas acredito que a escritá é pura destilação”, diz King. Um elemento importante da escrita é a transferência. Seu trabalho não é escrever palavras na página, e sim transferir ideias dentro da sua mente nas cabeças dos leitores.

“Palavras são apenas a mídia pela qual a transferência acontece”. Em seu conselho de escrita, Kurt Vonnegut também recomenda que escritores “usem o tempo de um total estranho de maneira que a pessoa não sinta ter desperdiçado tempo”.

17. Leva sua escrita a sério

“Você pode se aproximar do ato de escrever com nervosismo, empolgação, esperança ou desespero”, afirma King. “Faça isso de alguma maneira, mas de leve”. Se você não quer levar sua escrita a sério, ele sugere que você feche o livro e faça outra coisa.

Como a escritora Susan Sontag disse: “A história deve atingir um nervo – em mim. Meu coração deve parar de bater quando ouço a primeira linha em minha cabeça. Eu começo a tremer nesse risco”.

18. Escreva a cada dia

“Assim que começo um projeto, eu não paro e não desacelero a menos que eu absolutamente precise”, conta Stephen. “Se eu não escrevo todo dia a personagem começa a mofar em minha mente… começo a perder meu controle sobre o enredo e o ritmo”.

Se você falha em escrever diariamente a empolgação com a ideia pode começar a sumir. Quando o trabalho começa a parecer um trabalho, King descreve esse momento como “o beijo da morte”. O conselho dele é escrever uma palavra de cada vez.

19. Termine seu primeiro rascunho em três meses

King gosta de escrever 10 páginas por dia. Em um prazo de três meses, isso soma em torno de 180.000 palavras. “O primeiro rascunho de um livro – mesmo dos longos – não deve demorar mais de três meses, o tempo de uma estação”. Se você passa tempo demais em uma peça, King acredita que a história começa a ter uma sensação estrangeira.

20. Quando terminar de escrever, dê um longo passo para trás

King sugere seis semanas de “tempo de recuperação” após terminar a escrita. Assim, você pode ter a mente limpa para perceber quaisquer buracos no enredo ou no desenvolvimento da personagem. Ele afirma que a percepção original de uma personagem pelo autor pode ser tão faltosa quanto a do leitor.

Ele compara a escrita e a revisão com a natureza. “Quando você têm de escreve um livro, investe dia após dia escaneando e identificando as árvores. Quando termina, tem de dar um passo para trás e olhar a floresta”. Quando você encontra seus enganos, ele diz que “você está proibido de se sentir depressivo sobre eles ou de se bater. Confusões acontecem aos melhores de nós”.

21. Tenha coragem de cortar

Durante a revisão, escritores constantemente tem a dificuldade de abandonar palavras que eles escreveram por tanto tempo. Mas, como King aconselha, “mate suas queridas, mesmo quando isso quebra seu pequeno coração de escriba egocêntrico, mate suas queridas palavras”.

Apesar da revisão ser uma das partes mais difíceis da escrita, você precisa abandonar as partes chatas para avançar na história. Em seus conselhos sobre escrita, Kurt Vonnegt diz: “Se uma sentença, não importa quão excelente ela seja, não ilumina o assunto de maneira nova e útil, corte-a.”

22. Permaneça casado, seja saudável, tenha uma boa vida

King atribui seu sucesso a duas coisas: sua saúde física e seu casamento. “A combinação de um corpo saudável e um relacionamento estável com uma mulher auto-confiante que nada toma de mim ou de outra pessoa possibilitou a continuidade da minha vida profissional”, ele conta.

É importante ter um bom equilíbrio em sua vida para que a escrita não consuma tudo dela. Nos 11 “mandamentos da escrita” do pintor e autor Henry Miller, ele aconselha: “se mantenha humano! Veja pessoas, vá a lugares, beba se sentir-se bem para isso”.

8 livros eróticos para quem curtiu “50 Tons de Cinza”

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Romances eróticos fazem sucesso nas livrarias! Veja algumas opções mais que calientes 😉

Publicado no Guia da Semana

  • "História de O"

    “História de O”/Créditos: Reprodução

O bestseller 50 Tons de Cinza, da escritora inglesa Erika Leonard James, despertou nos leitores, principalmente nas mulheres, a vontade de procurar romances eróticos nas prateleiras das livrarias.

Isso ocasionou um corre-corre nas editoras, que desenterraram obras de anos atrás e ainda incentivaram autores da nova safra a escrever sobre o tema.

Se você é fã de romances eróticos, nós separamos alguns livros que certamente vai fazer sucesso na hora de dormir 😉

Juliette Society – Sasha Grey

A ex-estrela pornô Sasha Grey encabeça no universo literário erótico em “Juliette Society”. A história fala de um de clube secreto que tem poderosos da sociedade como integrantes .

Delta of Venus – Anaïs Nin

Publicado pela primeira vez em 1978, o livro reúne contos escritos durante a década de 1940 e transita por vários temas sexuais. Uma curiosidade é que este livro foi encomendado por um cliente que usava o codinome “colecionador”. Esse cara era conhecido por  outros escritores por encomendar ficção erótica para seu consumo privado.

A Vida Como Ela É – Nelson Rodrigues

O autor não é classificado como um escritor erótico, mas suas crônicas são repletas de adultério, pecado e desejos. Não só “A Vida Como Ela É”, mas diversas obras de Nelson Rodrigues giram em torno do prazer e da moral.

A História de O – Anne Desclos

Neste romance erótico, Anne Desclos usa o pseudônimo Pauline Réage. O livro foi publicado em 1954, na França e conta a história de uma mulher livre e independente que se torna escrava sexual de seu amante René e outros homens.

Trópico de Câncer- Henry Miller

Foi publicado em 1934 e por seu considerado um conteúdo pornográfico e obsceno ficou proibido nos EUA até 1961. O livro é o resultado da experiência da vida boêmia do escritor durante uma temporada em Paris, em que se deitava com prostitutas e mulheres solitárias.

Coisas Eróticas – Denise Godinho e Hugo Moura

A dupla de jornalistas fala sobre a primeira produção pornográfica brasileira, de como o filme “Coisas Eróticas”, do italiano radicado em São Paulo Raffaele Rossi, foi um marco no fim da pornochanchada e alavancou a produção de filmes “pornô por pornô” no Brasil.

Minha Vida, Meus Amores – Henry Spencer Ashbee

O escritor inglês Henry Spencer Ashbee colecionou histórias de erotismo e pornografia. Essa biografia fala sobre sua vida rodeada por mulheres e diferentes experiências amorosas com elas.

Justine – Marquês de Sade

É um clássico das histórias eróticas. Escrito por Marquês de Sade, que é conhecido por seus contos repletos de sexo, a obra aborda a vida de uma moça ingênua e defensora do bem que se envolve em crimes e depravações. Se você se interessar mais sobre Marquês de Sade veja o filme “Contos Proibidos do Marquês de Sade” (2000), do diretor Philip Kaufman.


Com apostas altas, Jorge Oakim fez da editora Intrínseca uma das maiores do país

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Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo

Na entrada da Intrínseca, no terceiro andar de um pequeno edifício da Gávea, no Rio, um painel agrega 24 capas tamanho família de títulos lançados desde a estreia da editora, nove anos atrás.

Boa parcela, como “Amanhecer”, de Stephenie Meyer, e “Um Dia”, de David Nicholls, teve longa estadia nas listas de mais vendidos.

“Recuso-me a ir atrás do que funciona para outras”, diz Jorge Oakim, editor da Intrínseca
Lance de R$ 1,6 mi fez Intríseca ganhar direitos da série “Cinquenta Tons”

Outros foram muito bem recebidos pela crítica, caso dos premiados “Precisamos Falar sobre o Kevin”, de Lionel Shriver, e “A Visita Cruel do Tempo”, de Jennifer Egan.

Nathalie Melot/folhapress
O empresário carioca na entrada da editora, em prédio na Gávea
O empresário carioca na entrada da editora, em prédio na Gávea

“Está meio desatualizado”, observa o carioca Jorge Oakim, 43, dono da editora.

Não há ali nenhuma capa da série “Cinquenta Tons”, lançada em julho e que fechará o ano com anunciados 2,5 milhões de cópias vendidas –o que deve deixá-la à frente de editoras como Sextante, Record e Companhia das Letras em faturamento em 2012.

Não que Oakim ache que a trilogia erótica de E.L. James destoe de alguma maneira do catálogo que considera, “sem querer ser pretensioso, um dos mais legais do país”.

O editor fica genuinamente ofendido com o desdém da crítica em relação à autora.

“Tem muito best-seller que eu não publicaria, mas ‘Cinquenta Tons’ tem algo novo. Muita gente diz que ‘Trópico de Câncer’ [de Henry Miller] é uma literatura erótica melhor, mas não consegue passar da décima página.”

Esse conjunto incomum de obras comerciais e literárias sob uma mesma marca –e num enxuto catálogo de 213 títulos em nove anos– fez não só a Intrínseca virar uma das maiores editoras do país como chamou a atenção do mercado para Jorge Oakim.

“Ele é o maior craque que apareceu em muitos, muitos anos”, diz Luiz Schwarcz, editor da Companhia das Letras.

A agente literária Luciana Villas-Boas resume o que “muitos, muitos anos” quer dizer: “Desde que Luiz fundou a Companhia, em 1986, não aparecia um editor com tanta visão”. “A verdade é que todo editor hoje queria ser ele”, ironiza Ivan Pinheiro de Machado, da L&PM.

É verdade também que esse economista, que até pouco tempo atrás era peixe fora d’água no mercado editorial (Oakim gosta de contar como era infeliz, até 2002, atuando no mercado financeiro), vem causando incômodo.

Com a filosofia de apostar em “poucos e bons” títulos, Oakim faz lances agressivos quando vê potencial de venda –conta com dois bons “scouts” (olheiros) internacionais para ajudá-lo nisso.

Por “Cinquenta Tons”, ofereceu US$ 780 mil, enquanto um hit como “O Caçador de Pipas” era comprado pela Nova Fronteira por meros US$ 12 mil sete anos atrás.

“O fato de os leilões estarem mais caros é consequências do aumento das vendas de livros e da leitura no país. Isso é positivo para todos”, argumenta.

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